domingo, 17 de maio de 2020

Sobre galáxias e amigos


A Lua gira em torno da Terra.
A Terra gira em torno do Sol.
O Sol gira em torno do centro da Via Láctea, nossa galáxia.
A Via Láctea pertence ao Grupo Local que pertence ao Superaglomerado (supercluster) de Virgem que pertence ao (à?) Laniakea.

A maioria das galáxias possui um buraco negro supermassivo no centro, então poderíamos dizer que o Sol gira em torno desse buraco negro da Via Láctea. Mas estaríamos bem errados, porque esse buraco negro tem uma massa 4.3 milhões de vezes maior que a do Sol. Enquanto que nossa galáxia toda tem 890 bilhões de massas solares, ou seja, o buraco negro não é tão importante para explicar a dinâmica gravitacional do sistema.

Só um pouco mais de paciência, que já entro no paralelo sociológico.

A rigor, em todos os níveis citados, o corpo que gira, o faz em torno do centro de massa, e não em torno de outro corpo, por mais massivo que seja. Mas claro, quanto mais a totalidade de massa do sistema estiver concentrada num só corpo, mais coincidente estarão o centro de massa e o corpo massivo. Então podemos continuar falando que a Lua gira em torno da Terra e que esta gira em torno do Sol. E se tirar esse objeto maior, o sistema provavelmente entra em colapso.



Comigo ainda?

Agora, ao invés de olhar para as estrelas, vamos olhar para nossos círculos sociais.
Vejo um paralelo bem claro entre sistemas de massa (ou outra forma de força de campo, como eletromagnetismo) e sistemas de afeto.

Num grupo de amigos, tem gente mais próxima e gente que faz parte, mas por quem você não simpatiza muito. Mas, provavelmente tem alguém que valoriza aquela pessoa, e não é difícil de imaginar que também exista alguém que não te tolera. O que importa é que coletivamente, todos estão girando em torno de um mesmo centro de atração afetiva.

Às vezes esse centro está personificado, tem aquela pessoa que conecta, um hub que ou naturalmente é mais carismático (energia potencial), ou se esforça mais (trabalho) para manter o grupo coeso.
Em outros grupos não. Foi formado por alguma circunstância incidental, compartilham uma identidade que pode ser temporária ou perene, e não tem uma figura que mantém a união do grupo, mas existe uma harmonia permite que todos continuem girando sem colisões.

A partir desse arcabouço, podemos extrair algumas classificações dos amigos:

* Sol: Elemento essencial do grupo. Se ele sair ou mudar de comportamento, o grupo provavelmente se desmancha.
* Planeta: pertence ao mesmo grupo que você, mas vocês não interagem muito fora do contexto do grupo.
* Cometa: aparece de vez em quando, participa temporariamente das atividades do grupo e some de volta.
* Satélite: parece que depende de você pra tudo.
* Sistema Binário. Um casal, ou "BFFs" que um gira em torno do outro.

E sempre um grupo pode estar dentro de outro que está dentro de outro. Mas diferentemente dos astros, podemos simultaneamente ter vários papeis em grupos diferentes: ser planeta aqui, cometa lá, satélite para alguém, sol numa circunstância especial, e por aí vai.

É o que tenho pra hoje. Não tem nenhuma crítica ou pensamento motivacional, ou recomendação. Só um ferramental para melhor observar seu papel e das pessoas a sua volta e ter uma maior consciência de como você afeta os outros.

Fim do texto.













segunda-feira, 18 de março de 2019

Protagonismo


Quero falar sobre protagonismo. Enquanto possível solução para um problema meio pandêmico na sociedade contemporânea, marcada pelas interações humanas predominantemente digitais.

Pra falar a verdade, não sei o que é protagonismo. Quer dizer, sei que esse termo é usado em algum contexto mas não pesquisei ainda. Me deparei com uma situação em que ela pareceu apropriada, então me apropriei. Vamos ver se bate depois.

Imagina um grupo de whatsapp com pessoas misturadas. Qualquer que tenha sido o motivo para sua criação, ele não perdura; porém o grupo está lá, e as pessoas continuam a usá-lo. Meio que se instaurou uma cultura que rege o conteúdo que se espera encontrar por lá.

Só que, como falei, tem gente de todo tipo. Uma middletown¹ virutal tupiniquim. E ao mesmo tempo em que as perspectivas são diversas, os papeis desempenhados dentro dessa comunidade também.

Temos os protagonistas, que são os que publicam ou compartilham material externo com mais frequência; os coadjuvantes, que apenas reagem ao que aparece na sua frente; e os figurantes, que só estão lá porque todo mundo também está. Poderíamos expandir a metáfora teatral, encontrando o análogo da plateia, do diretor, do dramaturgo... mas se continuar assim termina virando uma patáfora². Pra ideia que queria transmitir, esses três papeis bastam.

O problema surge quando há um desequilíbrio entre a distribuição de interesses e papeis. Ora, a comunidade é feita por pessoas, e tem o conteúdo que as pessoas que lá estão querem que tenha. Nada mais óbvio. Mas quem não faz gol, leva. Se seus interesses estão sub-representados na proporção de conteúdo, é sinal que está faltando protagonismo. Tem muito coadjuvante e figurante, que se incomoda com as publicações de interesse alheio, mas no máximo critica e se manifesta contrário. Isso, se tem algum efeito, é o contrário do esperado. O protagonista encontrou o drama que queria, e vai repetir a cena sempre que tiver o mesmo resultado.

O que eu sugiro é primeiramente, mudar seu papel. Tente ser protagonista, trazendo as informações que aprecia pra comunidade. Outros vão achar ruim, ou vão ignorar, mas você estará ativamente modificando a identidade do grupo simplesmente por postar. E, adicionalmente, não alimente os trolls. Não gostou? Desvia, e deixa passar reto. Basicamente isso.

Naturalmente, o mundo é bem mais complexo que isso. Essa modelagem social e estratégia só vão funcionar em situações bem limitadas, como (hipoteticamente) num grupo de whatsapp, conforme exemplo. Enfim, acho que vale o exercício: menos reclamação e mais iniciativa.

Aproveitando, quer mesmo debater um tema delicado com alguém? Seja cara a cara, ou pela internet, então seguem algumas dicas bem práticas https://ideas.ted.com/6-strategies-to-help-you-turn-heated-dinner-arguments-into-real-conversations/



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Já que estamos quebrando o hiato. Que se registre que tenho inúmeros posts inacabados, e algumas ideias ainda a serem postas em palavras. Não prometo nada, mas eventualmente, uma cornucópia de ideias mirabolantes pode surgir por estas terras.
A ideia corrente na minha cabeça é da "univocidade da perfeição e a convergência das idealizações".

domingo, 4 de dezembro de 2016

O conceito de Deus é irresistível


(Escrevendo ao som da trilha sonora de Star Wars: The Force Awakens)

** Se alguém se sentir ofendido por este texto... Deixe de ser fanático!! Não estou fazendo apologia positiva ou negativa a nenhuma religião específica **


Quando criei este blog (2009), queria um espaço pra fazer dump de ideias malucas da minha cabeça e um pouco pra cristalizar minha identidade. Essa era a ideia do Idioma Secreto, a língua do Tacio Medeiros, sim são anagramas. Então o blog seria meio que um dicionário bilíngue. Mas raramente posto coisas que são explicitamente aspectos da minha personalidade ou conjunto de crenças e valores. Este ensaio será uma dessas raras ocasiões.

Quero, por meio deste, segmentar um pequeno quadrado onde ponho o pé no terreno da religiosidade. Ao expressar desse modo, quero dizer que a fé é essencialmente subjetiva e qualquer comparação ou julgamento com outras fés[1] é inadequado. Todavia, é importante que se afirme a sua própria, seja confirmando aquela sugerida pelos pais ou comunidade durante a infância e adolescência ou questionando[2] e encontrando por conta própria o conjunto de crenças com as quais compactua. Cada um no seu quadrado[3].

Então pronto, depois dessa introdução toda, sou agnóstico teísta. Num sei de nada com certeza, mas se for pra apostar digo que existe alguma criatura divina aí. E se não tiver, um dia vai ter.

Minha premissa é parecida com o argumento ontológico. O argumento ontológico diz assim
"A: Deus é perfeito / B: Perfeição é ter todas as qualidades / C: existir é uma qualidade. Conclusão: Deus existe".
Eu penso assim: O conceito de Deus[4] é irresistível. Se Deus criou o Homem, o Homem criou Deus nesse mesmo instante.
O universo pode até ser esse vazio sem nexo ou propósito do qual os niilistas tanto se lastimam; mas em menor ou maior grau, qualquer ato criador é divino[5].

E o que é criar? É olhar para uma tela em branco[6] e enxergar uma noite estrelada; ser praticamente surdo e compor uma sinfonia; é, após contemplar a lua por séculos, enfim construir um foguete ir até lé e trazer um teco de volta. Ou nada tão glorioso, simplesmente existir, e ter a consciência de que se está vivo, e viver realmente acreditando que há um significado para essa vida. Isso já é criar!

Sabe por que o nome da primeira etapa da inicialização de um computador é chamada de boot? Vem de bootstrap,[7] que por sua vez remete a um conto de fadas em que o personagem sobe até as nuvens se erguendo puxando os cadarços da bota enquanto a estava calçando (ou alguma variação disso). Absurdismo lindo. Então, um computador desligado não tem nada, mas quando os elétrons começam a passar por aqueles labirintos de trilhas condutoras, a mágica acontece e algo surge. Bootstrap, FIAT LUX! [8]

Se não há um Deus metafísico pairando além da nossa compreensão por toda a eternidade (ou vários deuses, milhares), ele existe em nós mesmos, em cada instante que nos convencemos que a realidade subjetiva é maior que a objetiva.

Esse é o poder, a força do cadarço da bota, a magia profunda. Aí que reside o divino. Essa é a Criação.

Pode ser que estejamos dentro de uma Matrix
Pode ser que existam seres inteligente de dimensões atômicas tornando a vida possível[9]
Pode ser que um monstro de espaguete gigante indetectável tenha criado tudo
Pode ser que viajantes do tempo tenham voltado para garantir sua própria existência num loop anti-causal estável e sem ponto de origem
Pode ser tanta coisa diferente e pode não ser nada.
Mas de um jeito ou de outro (ou de outro ou de outro), sempre há algo que podemos chamar de Deus. Porque, mais uma vez, a ideia é irresistível

... Até que se prove o contrário.
Mas é tão mais conveniente e agradável acreditar no mistério do universo do que numa cadeia de coincidências indiferentes.

Ainda estou longe de saber do que estou falando realmente. Mas falo mesmo assim, pior das hipóteses terei registro de como eu pensava em dada etapa da vida. Daqui uns anos vou reler isso e morrer de vergonha pseudo-alheia... E tudo bem.


Referências.
Recomendo dá uma olhada em especial no 5 e no 8.

[1] Fezes? Não encontrei uma boa resposta sobre se existe plural de fé em português.
[2] Só lembro de um cara que meus primos e eu conhecemos num reveillon em Pipa que decidiu ser católico, muito a contragosto dos pais, ambos satanistas.
[3] Se você lembrou de uma música chiclete é problema seu.
[4] uso Deus com D maiúsculo não em respeito a alguma religião monoteísta, mais como elemento de ênfase. Faço o mesmo para Homem. Não é um indivíduo humano adulto do sexo masculino, é o conceito de Homem que engloba tudo o que o define como tal.
[5] The Holy Moment https://vimeo.com/56075178
[6] Think different https://www.youtube.com/watch?v=nmwXdGm89Tk (tem uma versão em texto que é mais longa, mas o video é bonitinho)

quarta-feira, 23 de março de 2016

Assimetria Afetiva

"Dos moi pou sto kai kino tayn gayn" - Arquimedes
- Give the place to stand, and I shall move the Earth

Tentarei ser o mais focado possível aqui, tem uma série de princípios por trás desta teoria e implicações diversas, mas vou tentar apresentar só o miolo da coisa mesmo.

Este ensaio entra na linha de pensamento de que a busca pela igualdade é uma simplificação útil por um tempo, mas com as ferramentas adequadas, podemos descobrir formas melhores de organizar a sociedade, tornando a igualdade obsoleta.

Nossa cultura, e mesmo nosso vocabulário, são orientados para classificar as relações afetivas em patamares discretos e sempre de forma recíproca. "É namoro ou amizade?", "Solteiro, casado ou tico-tico?", quando adiciona alguém como amigo no facebook, o outro precisa aceitar. Pensar assim é extremamente restritivo e em muitos casos cria frustrações de expectativa. Em geral, relações assimétricas são vistas como doentias, ou abusivas.

O que entendo por afeto? É o valor subjetivo que se dá à vida de outra pessoa. Assimetria afetiva significa simplesmente que o valor que o indivíduo A atribui a B é diferente do que B atribui a A. E isso é natural, e é bom, se enxergado no enquadramento certo.

O princípio da alavanca, na física, diz que, com o arranjo mecânico adequado, é possível erguer objetos muito mais pesados do que a força empregada.

Imagina uma gangorra, com a diferença que o ponto de apoio não está no centro da tábua. A pessoa no braço curto da tábua precisa ser bem mais pesada do que a do braço longo, para que haja equilíbrio.

(retirado da Wikipedia)

Nessa imagem, a gente tem um peso de 100 kg de um lado com braço de 1 unidade e um peso de 5 kg com braço de 20 unidades. 100 * 1 = 5 * 20. Verificada a igualdade, estabelece-se o equilíbrio.

Assim como na mecânica clássica, postulo que as relações afetivas também podem se beneficiar do princípio da alavanca.

Pra facilitar, vamos chamar essas pessoas de A e B (os famosos Alice e Bob).

O afeto que A tem por B é o peso de B; o afeto que B tem por A é o peso de A (pra simplificar, vamos desconsiderar o efeito da autoestima). Para qualquer configuração de peso relativo entre os dois, é possível encontrar um ponto de equilíbrio!

O desafio é conceber um arcabouço social que suporte essa assimetria, ou seja, construir a tábua e ponto de apoio metafóricos. Tem alguns exemplos na nossa sociedade, que não são considerados exatamente relações afetivas, mas no final das contas são sim. Qualquer interação humana é inevitavelmente afetiva. Julgamos o valor de outrem automaticamente, desde o cara que lhe vende um cachorro-quente até sua mãe.

Entre professor e alunos. Professor não tem condição de dedicar a mesma consideração para todos os alunos, mas pro aluno é fácil ter o professor como inspiração, como exemplo a ser seguido. Mesma coisa entre um padre e sua paróquia, um ídolo e seus fãs. Nesses casos, a assimetria afetiva surge naturalmente por causa da assimetria numérica de indivíduos em cada papel.

Entre um fornecedor e o cliente. Fornecedor quer preservar seu contrato, ou realizar a venda, por isso irá tratar o cliente como rei. Já o cliente, qualquer pisada na bola do fornecedor, ele irá trocá-lo por outro sem pestanejar. É assimétrico, e funciona.

E por que não, entre dois conhecidos quaisquer? A mensagem que eu quero passar se resume a isto: não é necessário um rótulo de "amigo" ou "colega" ou o que quer que seja, basta as duas pessoas se comunicarem, e de comum acordo, descobrirem seu ponto de equilíbrio afetivo.

Descoberto o ponto, pronto é aquele lá. Reciprocidade não implica em igualdade de esforço social. Claro, as coisas são dinâmicas, precisa conversar sempre pra atualizar o ponto, mas é isso.

Só mais um recadinho. Pegando o gancho aí da comunicação, e lembrando do poder amplificador da alavanca.

Se tivesse um jeito fácil de saber, ou de medir, o afeto que as pessoas em sua volta tem por você, e que um simples "oi" ou um mero sorriso pode impactar no resto do dia de alguém que tem uma estima muito alta por você, este mundo seria um lugar bem melhor.

Não estou falando apenas de paixões platônicas. Aquele morador de rua que vê milhares de pessoas passarem por ele todo dia, sem, no entanto, ter sua presença reconhecida por ninguém se beneficiaria imensamente de um simples aceno de mão.

http://9gag.com/gag/anNDOWo

https://www.quora.com/Can-you-tell-me-a-story-that-makes-me-cry/answer/Lisa-Kirk-1?srid=zCCU

 

sábado, 27 de junho de 2015

Arco-íris tem mais de 7 cores.


Ressalva: não há nenhuma intenção ou comentário político neste texto.

2 anos atrás eu escrevi um negócio sobre essa coisa de sexualidade e identidade de gênero. Aqui http://idiomasecreto.blogspot.com.br/2013/02/sexualidade-e-recursao.html

Depois disso, ampliei um pouco mais a teoria para dar conta de outras coisas que ainda não estavam sendo contempladas.

Então estou aproveitando o momento (nos dois sentidos: kg.m/s e s) para publicar esta revisão.

A teoria original basicamente diz que o arco-íris não tem só 7 cores, tem infinitas. É um gradiente contínuo que nossos olhos, mente e linguagem quebram em 7 faixas de cores distintivas.

Mas cadê o branco ou preto ou qualquer tom de cinza? E se eu for daltônico e não conseguir distinguir tantas cores assim ou tiver uma super visão e ser capaz de identificar pelo nome trezentas mil cores? E se estiver de noite, num existe arco-íris de noite?

Percebe onde quero chegar?
Não, acho que ainda não né?

Calma...

Sabe RGB? O esquema de cores. Tem 3 dimensões, cada uma assume um valor entre 0 e 255, mistura as três e tem qualquer cor imaginável. Tudo no máximo dá branco, tudo 0 dá preto.

O RGB tem várias vantagens, mas dependendo da finalidade, existem outros modelos de cores. Para esta teoria, a mais legal é a HSV.

Hue (matiz): o tom de cor

Saturação: é a intensidade da cor

Valor: a a claridade.

Se você não for artista gráfico, pelo menos já deve ter mexido no ajuste de cores da TV e deve ter uma noção do que acontece quando abaixa a saturação ou quando aumenta o brilho. Se não, dá uma lida na wikipedia e volta aqui (https://en.wikipedia.org/wiki/HSL_and_HSV).

Veja, o Hue é a identidade de gênero propriamente. Existem infinitas possibilidades, conforme a teoria original. O infra-vermelho seria zoofilia e além*, o ultra-violeta seria, sei lá, sexo com robôs**.

A Saturação é a diversidade de coisas pela qual o indivíduo tem atração. Pessoa que tem nada de saturação, enxerga tudo preto e branco, é um pansexual. É aquele cara que o que aparecer ele traça.

O Valor é a libido. Tem gente que tem mais, tem gente que tem menos. Do assexual total ao ninfomaníaco.

Bom, essa é a teoria. Vou deixar as comparações e implicações e rotulações por conta de cada leitor.



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Teoria da Possessão Alcoólica

Teoria da Possessão Alcoólica

ou teoria do pirata generalizada

 

Êee carnaval. Álcool, "música" e libertinagem. O que seria desse país sem o carnaval? O país do futebol e das favelas só. Mas eu já comecei divagando.

 

Tentar de novo. Dizia eu que o carnaval[1] é a festa onde as pessoas realizam suas fantasias, abrem suas asas, soltam suas feras [2]. Se dão liberdades reprimidas o ano inteiro[3].

 

Uma fantasia comum em carnaval é a do pirata. Tem um amigo meu que fala que não bebe quase nada, mas o pouco que ele beber de rum o transforma num pirata e esse pirata bebe pra caramba.

 

Tendo em vista que destilados em geral em inglês são chamados de spirits, tive a ideia de generalizar essa teoria do pirata.

 

Em poucas palavras, a teoria é que quando você bebe, a alma de alguém que morreu faz tempo entra no seu corpo e ele tem saudade do tempo de vivo e sabe que a possessão só dura até o álcool ser metabolizado, então ele quer aproveitar o máximo possível o tempo que tem de corpo. Se misturar bebidas, aí vários espíritos (inclusive o seu próprio) vão disputar o controle do corpo.

 

Agora explicando em detalhes.

 

Lembra do Rei Leão? "É o cíiiiiirculo sem fiiiiim!"[4]

O leão come o antílope, o antílope come a grama. Quando o leão morre, ele é absorvido pela grama, e o antílope come a grama.

 

Pois bem, a gente bebe a cerveja, vinho, vodca, cachaça, uísque, rum, conhaque, saquê, e qualquer outro vegetal que conseguirmos fermentar ou destilar.

 

De alguma forma, nossos antepassados foram absorvidos pelas plantas e o álcool que produzimos e consumimos contém almas humanas[5]! É como se as plantas fossem tipo a armadilha dos caça-fantasmas. E ao converter em bebida, elas são liberadas. Claro, vem um monte de outras coisas junto, mas só almas humanas são compatíveis com corpos humanos, o resto não consegue entrar ou algo assim. Tem um monte de furo na teoria pra tapar, mas não importa.

 

Então se você bebe rum produzido nos canaviais caribenhos, você é possuído por um pirata.

Se encher a cara de uísque escocês, é possuído por um bigodudo de saia quadriculada tocando gaita de foles.

Se virar várias tequilas, baixa um legítimo mariachi mexicano com sombreiro e tudo.

Se tomar volumes copiosos de cerveja alemã, vem um bavariano com bermuda caqui e suspensórios atazanar seu juízo.

Se der PT de vodca, carrega um russo porra-louca no espinhaço que no dia seguinte você nem lembra onde tá.

E por aí vai. (Não sei por que os estereótipos nacionais são sempre masculinos. Ah não, alemã tem a versão feminina também.)

 

Claro, o quanto esses espíritos vão conseguir dominar seu corpo vai depender do poder que sua própria alma tem sobre seu veículo de carne e a quantidade de álcool ingerida.

 

Aí o cara vai lá, toma todas, sai do bar entrançando as pernas, pega o carro e faz um strike. A culpa não é dele se no século 17 não tinha carros e o espírito que estava no comando só tinha andado de cavalo.

 

Então da próxima vez que for invocar o pirata, pense nisso. Quem quer aproveitar a festa é você ou um defunto de trocentos anos atrás? Como bem nos lembra o defunto-a-não-tanto-tempo Robin Williams[6], Carpe Diem é o que desejam os que já viraram comida de minhoca. Para eles a esperança já morreu. (Sim, tenho consciência que estou interpretando a cena ao contrário).

 

Aliás, esperança é o tema de próximo post. Que sabe-se-lá-quando vou escrever.

 

 

[1] E o salário ó! Ah não, tou misturando os profs. https://www.youtube.com/watch?v=eTkm_WNfAFc

[2] Disco is dead. Só consigo achar a mínima graça nessa música quando estou de paletó bêbado em alguma cerimônia de casamento. Hmm, à luz desta teoria agora faz sentido.  https://www.youtube.com/watch?v=NDPhClCghmY

[3] Nhá, Wikipedia faz o episódio parecer sem graça. http://en.wikipedia.org/wiki/A_Taste_of_Freedom

[4] Ainda acho que Scar deu azar de reinar durante uma seca sem precedentes, teve culpa não.  http://www.imdb.com/title/tt0110357/quotes?item=qt0371434

[5] Ainda tenho que ver esse filme. https://www.youtube.com/watch?v=9IKVj4l5GU4

[6] E esse tenho que rever, acho que não entendi muita coisa na 1a vez que vi. https://www.youtube.com/watch?v=veYR3ZC9wMQ

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Esporte infantil - História da Floresta

Alguns dias atrás sonhei com um jogo infantil de campo aberto, meio parecido com barra-bandeira, polícia e ladrão, só que mais elaborado.
No sonho, cada jogador tinha uma fantasia de animal. E era uma bagunça.
Aí com os fragmentos que lembrava, comecei a elaborar melhor o que seria esse jogo. Seguem as regras, até onde cheguei.


Jogo em equipe (cooperação obrigatória entre membros)
Sem bola (não há ponto focal da ação do jogo)
Em espaço retangular (preferencialmente gramado, pode ter obstáculos como árvores)
Misto (jogam obrigatoriamente meninos e meninas de idades diferentes na mesma equipe)

Cada equipe é composta por 5 jogadores animais
- Um urso (menino mais velho)
- Uma raposa (menina mais velha)
- Um coelho (menino ou menina de idade intermediária)
- 2 ratos (um menino e uma menina mais novos)

Cada jogador, antes do início da partida, guarda um pequeno papel enrolado com uma frase escrita.
Esse papel se chama capítulo.

Cada animal, além de se mover livremente pelo campo, pode também roubar o capítulo de um animal do time adversário e entregá-lo a um animal do seu time.
Para realizar a ação, basta encostar na vítima e ela fica congelada até que alguém lhe salve ou a rodada acabe.

O objetivo de cada rodada é, através de uma sequência de ações válidas, tomar o capítulo de um adversário e entregá-lo para o mesmo animal da sua equipe.
O jogo é um melhor de 5 rodadas. Ou seja, a primeira equipe a fazer 3 pontos vence.

Ao final de cada rodada, o capítulo é lido, e revela uma parte da história da floresta, o que altera algum aspecto da dinâmica da próxima rodada.

O urso pode tomar o capítulo da raposa;
A raposa toma do coelho;
O coelho toma dos ratos (qualquer um);
Os ratos tomam do urso.

O passe de capítulo dentro do próprio time acontece no sentido contrário.
Contudo, um animal não pode guardar mais do que 2 capítulos ao mesmo tempo.
Os ratos só podem entregar capítulo pro coelho;
O coelho só entrega pra raposa;
A raposa só entrega pro urso.

Quando um animal recebe o capítulo adversário do seu equivalente a rodada acaba.
Ou seja, um capítulo precisa trocar de posse 4 vezes, no mínimo, para encerrar uma rodada.

Efeitos dos capítulos:
- [animal] está doente, deve ficar parado.
- É noite, todo mundo vendado.
- ...

Posições iniciais na quadra
...

Faltas e penalidades
...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Feliz Aniversário

Se você mede o quanto viveu pelo número de voltas que a Terra dá ao redor do Sol,
Você está fazendo isso errado.
O que tem de sua vida nessa medida?
A data de nascimento, e só.

Que tal, ao invés disso, quantificar sua existência pelo número...
De passos dados, ou de viagens inesquecíveis, de fronteiras transpostas, cartões postais?
De quedas reerguidas, ou de doenças curadas, de medos superados, lágrimas enxugadas?
De flores colhidas, ou de canções de cor, de brindes tilintados, luares vislumbrados?
De sorrisos trocados, ou de amizades inseparáveis, de paixões instantâneas, familiares reunidos?
De missões cumpridas, ou de surpresas agradáveis, de apostas vencidas, sonhos realizados?

Esses números ninguém tem. Ninguém lembra de contar.
Chega no dia que veio ao mundo, inventa uma comemoração.
O que tem de tão particular nesse dia e mês? Bastam 23 pessoas num grupo pra chance de aniversariantes repetidos ser 50%.
Sabia disso? Num grupo com 57, sobe pra 99%.

Imagina só quão mais legal seria celebrar...
A cada mil apertos de mão. "Quanta gente conheci!"
A cada cem livros lidos. "Quanto mais aprendi!"
A cada dez pares de sapato gastos. "Quantos lugares percorri!"
A cada dia com saúde. "Que bom, vamos sair?"

Celebre a vida sempre.
E dê os parabéns a todos a qualquer momento. (O mérito? Basta existir.)
E mais importante, comece a prestar mais atenção e contabilizar
Tanto as pequenas como as grandes coisas que acontecem contigo
Sejam voluntárias ou que acontecem sem querer.
Pois são elas que compõem o "eu" que é você.


How many roads must a man walk down / Before you call him a man? http://www.youtube.com/watch?v=964FCiB9Lco

Birthday Problem
http://en.wikipedia.org/wiki/Birthday_problem


[Edit 27/02/2015]
Plot twist



[Edit 2016]
Life Profit. O cara do bode
https://www.youtube.com/watch?v=nLe-8y7Tddk
(não concordo 100%, mas tem a ver)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Sexualidade e recursão


Eu estava vendo a entrevista do Silas Malafaia pela Marília Gabriela e depois a resposta do biólogo boiola (com o perdão pelo pleonasno*) em relação às alegações do Malafaia em torno de sexualidade e genética e me ocorreu uma observação um tanto quanto inusitada. Existem infinitas possibilidades de identidade de gênero.

Não quero gerar polêmica, a intenção deste texto é puramente matemática. Deixar isso claro logo, porque senão nego cai matando.**

Vamos lá. Cara fala no video que existem dois sexos: a identidade (o gênero que você acha que é) e a orientação (o gênero pelo qual tem atração). Mas na verdade são 3, tem um omitido aí que é o que você de fato tem entre as pernas, vamos chamar esse de anatômico (na verdade tem um 4º que é o cromossômico e talvez um 5º que é o social. Não vem ao caso aqui).

Então, arranjo com repetição de dois elementos 3 vezes, 2³ = 8. Nesse modelo simples existem 8 tipos de sexos.
Vou listar aqui e dar uma denominação.

Homem que acha que é homem e gosta de mulher (cis-hetero-masculino)
Mulher que acha que é mulher e gosta de homem (cis-hetero-feminino)
Homem que acha que é homem e gosta de homem (cis-homo-masculino)
Mulher que acha que é mulher e gosta de mulher (cis-homo-feminino)
Homem que acha que é mulher e gosta de homem (trans-homo-masculino)
Mulher que acha que é homem e gosta de mulher (trans-homo-feminino)
Homem que acha que é mulher e gosta de mulher (trans-hetero-masculino)
Mulher que acha que é homem e gosta de homem (trans-hetero-feminino)

Ufa.

A conclusão aqui é que se for considerar essa distinção entre identidade e orientação, precisamos de mais etiquetas pra essa gente toda. Isso é porque nem entrou bissexualidade na história. (Haja letra na sigla!)
Aliás, por falar em etiquetas, eu tenho impressão que seria mais produtivo usar androfílico e ginofílico ao invés de homo e hetero porque aí desacopla do sexo anatômico. Tipo, divide pelo time em que a pessoa joga.

Mas a parte interessante vem agora.
Vamos voltar pro modelo mais simples, só com identidade e orientação, que agora vamos chamar de afinidade. Mas adotar as seguintes definições:
Afinidade aponta para uma Identidade
Identidade engloba Afinidade.

Pronto. Recursão!!

Caso trivial.
Tipo A: tem afinidade por B => A = ( -> B)
Tipo B: tem afinidade por A => B = ( -> A)

Aplicando a definição de identidade de B em A temos
Tipo A: tem afinidade por quem tem afinidade por A => A -> ( -> A)

Mas se parar aí você vai ver que a expressão não está representando adequadamente a situação. Apesar de fazer todo o sentido para quem adota a filosofia "quero quem me queira".
Considere o tipo C: tem afinidade por C => C = ( -> C)
Descendo um nível na recursão: tem afinidade por quem tem afinidade por C => C -> ( -> C)

Que é a mesma expressão que encontramos no 1o caso.
Portanto, precisamos descer mais um nível lá. Ou seja, primeiro aplicar a definição de A em B e depois aplicar o resultado na definição de A.

A = ( -> B)
B = ( -> A)
---------------
B = ( -> ( -> B))
A = ( -> ( -> ( -> B)))

Tá ficando confuso né?
Vamos ler assim. (É só um exemplo, vamos chegar na generalização logo em seguida.)
Homem
Homem é quem gosta de mulher
Homem é quem gosta de quem curte homem
Homem é quem gosta de quem curte quem tem atração por mulher

Aí você pensa. "Beleza, entendi, mas só tá complicando o óbvio. Praticamente um onanismo mental. Pra quê isso tudo?"

Bom, com esse modelo dá pra representar todo tipo de identidade sexual. Só é criar sua definição. Dei dois exemplos que ilustram o heterossexual (A -> B) e o homossexual (C -> C). Mas se alguma raça alienígena tiver três sexos anatômicos (não me pergunte como), daria pra representar nesse modelo do mesmo jeito com todas as combinações possíveis.

Mas o melhor é que comportamentos mais complexos também podem ser representados.
Por exemplo, tem muito homem que acha "interessante" ver duas mulheres se beijando.
Esses caras são do tipo D.
C = ( -> C)
D = ( -> C)

Obviamente, o tipo D não tem reciprocidade. Se você descer na recursão, o símbolo D não torna a aparecer.
Fica D = ( -> ( -> ( -> ( -> C))))
Mas daria pra criar comportamentos bem complexos com reciprocidade a cada n níveis de recursão.
Algo como X -> Y -> Z -> W -> X


Exercício de casa: representar o poema Quadrilha de Drummond nessa notação.

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história


* A ofensa gratuita é só pela oportunidade de fazer a maior densidade de figuras de linguagem possível. Se explicar perde toooda a graça. (http://xkcd.com/550)

** Será que eu tou superestimando o senso de humor das pessoas? (http://knowyourmemesei.com/memes/almost-politically-correct-redneck)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Tipos de gente

Neste mundo, irmão, tem todo tipo de gente
Do mais pagão ao mais temente
Do mais razão ao mais demente
Do mais ladrão ao mais inocente
Do mais ancião ao mais lactente
Do mais Adão ou mais Vicente

Do mais capitão ao mais tenente
Do mais ação ao mais paciente
Do mais paixão ao mais carente
Do mais quentão ao mais sol quente
Do mais patrão ao mais indigente
Do mais gavião ao mais serpente
Do mais padrão ao mais saliente
Do mais peão ao mais imponente
Do mais refrão ao mais repente
Do mais pastelão ao mais indecente
Do mais nação ao mais nossa gente
Do mais "sei não" ao mais "pra frente"

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Aritmética da vida


No começo você é só mais 1
Insignificante, uma fração de gente
Aí quando cresce, só pensa em multiplicar-se, no sentido bíblico.
No meio da vida, se tudo deu certo, você é um expoente da sociedade
Até que sua razão de viver lhe é subtraída
Você morre e todos os seus bens são divididos

domingo, 29 de julho de 2012

Reboot

- O que foi?
- O que foi, não torna a ser.
Já era. Jaz. Era.
Zera tudo e recomeça

sábado, 28 de julho de 2012

Aniversário

Quando meu aniversário se aproxima
Sou possuído por um otimismo profundo
Dá vontade de subir uma montanha e lá em cima
Gritar bem alto: "EU SOU O REI DO MUNDO!"

domingo, 10 de julho de 2011

No final tudo dá certo


Pessoal gosta de falar que no final tudo sempre dá certo.
E se não está certo é porque ainda não acabou.

Sempre achei que fosse só uma frase para encorajar a não desistir, votos de otimismo, gentileza civil.

Mas dia desses, ouvindo a conversa de dois amigos sobre o embate iminente do último semestre de faculdade para se formar, percebi que é pura lógica. É muito simples...

No contexto universitário, o adágio exposto no início deste texto pode ser interpretado como segue.
Dado que o aluno irá se formar cedo ou tarde (desconsiderando possibilidade de jubilamento ou desistência), até o pior dos alunos que nunca na sua vida acadêmica passou em todas as disciplinas matriculadas terá no seu último semestre enfim completado seu currículo. Ou seja, terá de fato passado de 100% das matérias matriculadas[1].
Caso ele não passe em tudo, então não é o último semestre e ele se matriculará novamente naquela(s) que ele não passou (de novo). Até que um dia ele passa de tudo e esse sim será o último semestre. E esse sim terá tido 100% de aproveitamento.
Olha só, por essa perspectiva, todo aluno que se forma, o faz como um aluno exemplar que passa de tudo.

É igual um sistema de controle[2] retroalimentado.
1- Mede a variável de saída do sistema
2- Compara com o valor desejado
3- Se não chegou ainda usa o acionador pra empurrar mais um pouco
4- Volta pra etapa 1

E cada vez fica mais perto do valor desejado, até que chega lá[3].

Então, mas a hipótese colocada ali entre parênteses é muito forte né? Sem jubilamento e sem desistência. Ou seja, ele pode tentar infinitas vezes até dar certo.

Saindo do contexto universitário, pensando nos problemas gerais da vida. Será que dá pra aplicar essa lógica?
Acho que as pessoas terminam apelando. Tem aquele outro ditado popular, "Se não pode vencê-los, junte-se a eles."
Se uma coisa não está dando certo, muda o objetivo pra algo mais ao alcance e vai lá e consegue. De alguma forma justifica pra si mesmo[4] que o tempo perdido com o objetivo anterior era só uma fase de aprendizado, de preparação.

E aí, desse jeito, escolhendo com conveniência o objetivo e o momento considerado final, fica fácil dizer que no final tudo dá certo.
Para ser franco então deveríamos dizer assim:

No final, tudo dá certo. Se não deu ainda, mude[5] seu conceito de certo e de final até que consiga se convencer que algo foi concluído e com sucesso.


Referências Cruzadas Potencialmente Obscuras e Aleatórias
[1] Huge success (Portal - Still Alive)
[2] Purposeful behavior (CONTROL - Principia Cybernetica)
[3] Ele disse que chegava lá (Chico Buarque - meu guri)
[4] Racionalização da frustração (Dissonância cognitiva)
[5] GPS - "Recalculando rota"

sábado, 2 de julho de 2011

Sonho pra deixar Inception no chinelo


Já tive sonhos estranhos. Mas o que tive essa noite supera todos. Nem sei como descrever direito.

Sonhei que eu acordava à noite com um barulho. Eu levantava pra ver e vi alguém mexendo no armário no outro quarto. Só que essa pessoa era eu mesmo! Por algum motivo eu sabia que esse eu do outro quarto era um sonho, mas se era um sonho então eu estava dormindo.

Quer dizer, eu estava ao mesmo tempo em 3 cantos. Dormindo (1), Sonhando que estava mexendo no armário no outro quarto (2), Desperto observando minha projeção onírica do outro quarto (3). Então eu (o 3 que era quem estava consciente da situação) tentei acordar o eu 1 pra fazer o eu 2 sumir. Quando eu consegui, o 2 e o 3 sumiram e o eu consciente passou a ser o 1. Que acordou muito confuso com a recente sensação de bi/tri corporeidade.

Mas tudo isso foi só um sonho.

Acho que ficar lendo sobre paradoxo ontológico e enredos com laços temporais antes de dormir não foi uma ideia muito boa...

sábado, 11 de junho de 2011

Dia dos namorados

Um soneto em homenagem aos casais de namorados.

As flores murcham e morrem no vaso
O chocolate engorda e dá espinha
Presente mesmo digno de rainha
Ou namorada que seja no caso

Não pode ser entregue em sacolinha
Também não pode ter preço e nem prazo
Sem falar que não se tolera atraso.
Já sabe o que eu vou te dar? Adivinha!

Quando é sincero e verdadeiro o amor
Melhor que carinho, não há presente
Ficar um ao do outro inteiro dispor

Um filme com pipoca, de repente
Sei lá, se aconchegar no cobertor
Fingir que vai durar eternamente.

domingo, 29 de maio de 2011

Loop infinito na Wikipedia


Inspirado pelo tooltip do xkcd 903.
Diz lá que qualquer artigo que você pegar na wikipedia (english), se clicar sucessivamente no 1o link que não está dentro de parênteses nem em itálico, você termina invariavelmente chegando em Philosophy.
Testei com alguns artigos aleatórios, e de fato, isso se verificou.
Aí eu me perguntei, "e se continuar com a regra depois de Philosophy?"
Descobri que tem um loop infinito entre Philosophy, Mathematics e Science.
Veja.

Philosophy - Existence - Sense - Physiological - Science - Knowledge - Fact - Information - Sequence - Mathematics - Quantity - Property - Modern philosophy

Daqui a pouco alguém deve surgir com alguma teoria à la código da Bíblia de que todas as previsões do futuro estão contidas na wikipedia é só usar a regra certa de navegação pelos links.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Lembre-se que morrerás

Como costumava dizer poor Tuco, o feio, de the Good the Bad and the Ugly, o mundo é dividido em 2 tipos de pessoas... [a continuação varia]

Mas essa decurrolagem é bem mais antiga, tem até lista de frases que começam assim.
Tem uma que é atribuída a Aristóteles (mas eu duvido muito*) que diz o seguinte:
"As pessoas dividem-se entre aquelas que poupam como se vivessem para sempre e aquelas que gastam como se fossem morrer amanhã."

Perfeito! É simplista mas resume bem. Penso assim faz tempo.
O que eu acho que acontece é o seguinte: em algum momento entre a infância e a vida adulta, a pessoa se dá conta, percebe com plena consciência, que irá morrer um dia. E a essa epifania compulsória seguem-se duas respostas possíveis:
- Vou morrer, não sei quando. Provavelmente não hoje, mas talvez já amanhã. Então vou aproveitar o dia de hoje o máximo possível. Vou buscar ter o máximo de prazer nessa vida efêmera porque sei que o prazer satisfaz, por um instante pelo menos, esse meu corpo decadente;
- Vou morrer, e com minha morte, tudo o que eu fui será esquecido e apagado e substituído. Então de que adianta viver? Existem, contudo, coisas que eu posso realizar em vida que serão lembradas por sua beleza ou grandiosidade ou de cujas consequências afetarão a vida dos que ficarem depois da minha partida. Vou procurar realizar o máximo de coisas para que minha obra seja prova da minha passagem pela vida.

Pra quem não entendeu, segue em bom latin.

Memento Mori !
- Carpe Diem
- Non Omnis Moriar

(tá bom... eu tento traduzir)
Lembre-se que irá morrer
- Aproveite o dia
- Não morrerei completamente

Agora, essas duas respostas só são antagônicas se levadas ao extremo. Quem só quer ter prazer não realiza nada e quem só quer realizar não tem prazer. Mas se você pensar bem, há prazer na realização e há realização no prazer.

Bottom line, "aproveitar a vida" pode significar coisas diferentes para uns e para outros, não há um caminho certo. Qualquer que seja a sua filosofia de vida,
[...bzzzt ...] sentido da vida é [... rhurhuwhruhruwhr ...] para ser feliz [... shshsshshshshshs ... ]
Não, sério, eu juro que eu tinha pensado numa conclusão legal pro texto, desviei a atenção 1 segundo e esqueci o que ia escrever.


* A quote mais próxima que eu encontrei em inglês é esta

sábado, 23 de abril de 2011

Educação infantil

"Não vai lá que tem cobra!"

"Não faz isso que o moço briga com você. O moço é bravo!"

"Se não dormir, a cuca vai te pegar!"

"Se não for um bom menino o ano inteiro, Papai Noel não dá presente!"

...

 

Quando eu vejo os pais usando essas mentiras tentando educar o filho através da impressão de medos e associação desses medos com ações incorretas, duas coisas me vêm à cabeça.


A primeira é que os pais de hoje rejeitam a ideia de educar pela autoridade. Antigamente, se o moleque faz travessura ele apanhava mesmo, novamente ele aprende pelo medo, mas pelo menos é um medo real, o medo da pisa que o pai deu com o cinto. (Não que eu seja a favor disso, só estou observando a mudança de comportamento.)


A segunda é que me parece que um adulto nada mais é que uma criança que adquiriu um número suficiente de medos, se restringindo a agir e falar dentro do pequeno mundo que ele aprendeu que é seguro. Isso significa que essas pessoas terão uma vida longa e feliz, porém aquém do seu real potencial, pois existe uma boa possibilidade de que parte de seu talento tenha sido enterrado em um dos medos que o tornou adulto.


Ao mesmo tempo, quando vejo uma criança fazendo coisas aparentemente sem sentido (propósito) ou perigosas, impulsionada por pura curiosidade e agindo em legítima criatividade, em um eventual momento em que seus pais ou responsáveis não a estão observando, sinto uma profunda admiração.


Às vezes observo o mesmo no louco da rua, mendigo, morador de rua, que aborda os transeuntes aleatoriamente e aparentemente sem esbarrar em nenhum medo.


Mas afinal, o que é o medo?


Discussões relacionadas:

- Pedagogia / Psicologia infantil

- Medo / Virtudes e vícios teologais

- Possibilidades e propósitos

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Como se mede um ser humano?


Tá, podemos pegar uma fita métrica e medir vários atributos físicos. Podemos contar o tempo decorrido desde o momento que ele nasceu, é outra medida. Podemos confeccionar um teste pra ter medida da inteligência ou dos conhecimentos ou até da personalidade de cada pessoa. Tudo isso é válido, é largamente usado, e tem suas finalidades.

Mas não é disso que eu quero falar.

Querendo ou não, estamos sempre julgando a nós mesmos e as pessoas a nossa volta, nos qualificando como superiores ou inferiores. E os critérios dessas medidas subjetivas que fazemos são os mais diversos, segundo nossas crenças, valores, moral, objetivos de vida.

E tem uma medida em especial que me intriga porque existem duas formas de pensar igualmente válidas do ponto de vista racional, mas antagônicas e eu escolho e julgo veemente de uma das formas.

Quem é superior? Quem ajuda o outro pois demonstra ter o poder de fazer algo que aquele que pediu o favor aparentemente não é capaz, ou quem pede ajuda pois demonstra poder articular as pessoas e ampliar suas capacidades para além das suas limitações?

O primeiro pensa: "Eu consigo me virar sozinho, e ainda sobra energia para ajudar aos menos capacitados. Por isso sou superior".
O segundo pensa: "Eu consigo o que quero usando o mínimo de energia própria. Por isso sou superior".

O mais engraçado é pensar que eles precisam um do outro. Quando um pede um favor e o outro o faz, ambos se sentem realizados, tendo demonstrado sua grandeza.

Daqui podem se seguir diversas discussões. Incluindo guerra dos sexos, falso altruismo, ambições.